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por Daniel Pipes
New York Sun
8 de Março de 2005
Original em inglês: A Neo-Conservative's Caution
Tradução: Márcia Leal
Nunca entendi bem que idéias definem um neoconservador, nem se eu sou um deles ou não, mas outros há muito tempo decidiram o assunto por mim. Os jornalistas descrevem-me como "neoconservador", os editores incluem meus textos em antologias neoconservadoras, os críticos sondam minhas opiniões para conhecer o pensamento neoconservador e âncoras de televisão escalam-me para representar o ponto de vista neoconservador.
Como alguns dos meus maiores amigos e aliados mais próximos são chamados de neoconservadores, aceito a denominação de bom grado. Ela guarda uma certa distinção, na verdade, visto que, embora não passem de cinqüenta os americanos considerados neoconservadores, ainda assim controlaríamos a política externa do país.
Digo isso tudo porque, nos últimos dois meses, a política neoconservadora para o Oriente Médio vem tendo boa aceitação, a julgar pelos comentários de Max Boot em sua coluna "Neocons May Get the Last Laugh".
Tais episódios deixaram alguns neoconservadores em estado de quase euforia. Rich Lowry, da National Review, considera-os "uma coisa maravilhosa". Charles Krauthammer, do Washington Post, escreve que "estamos no limiar de um momento glorioso, delicado e revolucionário para o Oriente Médio".
Também me alegro com esses avanços, porém mantenho reservas. Talvez minha experiência com a história do Oriente Médio me faça mais atento ao que pode dar errado:
Percebem o padrão? À exceção do sui generis caso palestino, um grande perigo ameaça comprometer as boas notícias: o de que uma retirada demasiado rápida da tirania deixe à solta os ideólogos islamistas e lhes abra o caminho até o poder. Infelizmente, os islamistas são os únicos a dispor do necessário para ganhar as eleições: o talento para expandir uma ideologia poderosa, a energia para fundar partidos, a devoção para fazer adeptos, o dinheiro para despender em campanhas eleitorais, a sinceridade para atrair os eleitores e a vontade de intimidar os rivais.
Um tal desejo de poder não é nada novo. Em 1979, os islamistas se aproveitaram da queda do xá para tomar o poder no Irã. Em 1992, estavam perto de vencer as eleições na Argélia. Em 2002, chegaram ao poder por vias democráticas na Turquia e em Bangladesh. Remover Saddam Hussein, Hosni Mubarak, Bashar Assad e os príncipes sauditas é mais fácil do que convencer os muçulmanos do Oriente Médio a não substituírem os tiranos pelas virulentas ideologias islamistas.
O Oriente Médio de hoje não está sozinho em sua atração pelo totalitarismo — pensem na Alemanha de 1933 ou no Chile de 1970 —, porém é único na dimensão e na constância desse fascínio. Preocupa-me que meus colegas neoconservadores dêem tão pouca atenção às implicações desse fato.
O presidente Bush é digno de louvor pela visão inabalável de um Oriente Médio livre, mas sua administração deveria prosseguir com vagar e cautela na transferência de poder dos autocratas para os democratas. A tentação totalitária do Oriente Médio, com seus profundos problemas de história e identidade, precisa antes ser confrontada e resolvida. Pular essas etapas pode deixar a região em situação pior do que estava ao tempo das tiranias, sem eleições democráticas.
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