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Salvando a Guerra do Iraque

por Daniel Pipes
New York Sun
24 de Julho de 2007

Original em inglês: Salvaging the Iraq War
Tradução: Joseph Skilnik

Duas posições dominam e polarizam hoje o corpo político americano. Alguns dizem que a guerra está perdida, portanto deixem o Iraque. Outros dizem que a guerra pode ser ganha, portanto deixem as tropas lá.

Eu dividi a diferença e ofereço uma terceira rota. A ocupação está perdida, mas a guerra pode ser ganha. Mantenha as tropas norte-americanas no Iraque, mas retire-as das cidades.

Eu já previ o fracasso de uma ocupação militar liderada pelos americanos no Iraque em fevereiro de 1991, assim que a guerra do Kuwait acabou, tendo escrito então que uma ocupação que durasse mais do que alguns meses "provavelmente conduziria a um dos grandes desastres da política externa americana". Eu cheguei a esta conclusão com base no fato da população do Iraque vir "a se ressentir muito fortemente de uma força de ocupação predominantemente americana". Então, eu concluí, que a infâmia do fogo de franco atiradores iria enterrar o prestígio da superioridade militar de alta tecnologia, "a famosa vitória alcançada pelos Tomahawks, Tornados e Patriots se tornaria rapidamente uma memória obscura".

Em abril de 1991, eu adicionei que "as tropas americanas seriam rapidamente odiadas, que os Chiitas começariam a cometer atentados suicidas, que os Curdos retomariam sua rebelião e que os governos sírio e iraniano planejariam novas maneiras de sabotar o domínio americano. Ficar lá seria muito doloroso, sair de lá, humilhante".

Quando a ocupação já durava um semestre em outubro de 2003, eu previ que "a missão no Iraque terminaria em fracasso" porque a motivação iraquiana de remover as forças de coalizão excedia enormemente a motivação da coalizão de permanecer. "O esforço liderado pelos EUA de arrumar o Iraque não é importante o bastante para os americanos, britânicos ou outros parceiros não muçulmanos de continuarem até o fim".

Agora novamente, eu reitero que aquela mesma falta de vontade (quantos americanos ou britânicos se preocupam profundamente com o curso do futuro do Iraque?) significa que as forças de coalizão não podem alcançar a grandiosa meta de reabilitar o Iraque. Ao pedir a retirada, os críticos refletem o espírito nacional que deixa a administração Bush cada vez mais isolada, uma tendência que quase certamente irá continuar.

Mas o Presidente George W. Bush tem razão de insistir em manter as tropas no Iraque.

Em parte, a credibilidade da América está em jogo. O país não pode se dar ao luxo de, como observou Victor Davis Hanson, ter sua primeira retirada do campo de batalha. A multidão que defende a fuga se ilude neste ponto. O Senador George Voinovich (Republicano de Ohio) sustenta que "se todo mundo souber que estamos partindo [do Iraque], porá o medo de Deus neles" para o qual Jeff Jacoby sarcasticamente responde no Boston Globe: seguramente, "a Al-Qaeda não ficaria assustada ao ver os americanos em retirada".

As tropas também deveriam permanecer no Iraque por outra razão: O Iraque oferece uma base sem igual da qual se pode influenciar o desenrolar dos acontecimentos no teatro mais volátil do mundo. Os governos de coalizão podem usá-los para:

  • Conter ou diminuir a influencia dos governos iraniano e sírio.
  • Assegurar o livre fluxo de petróleo e gás.
  • Combater a Al-Qaeda e outras organizações terroristas internacionais.
  • Ministrar uma presença benigna no Iraque.

O que as tropas de coalizão não deveriam fazer: Eliot Yarmura, um cabo do corpo de fuzileiros navais norte-americanos, pesadamente armado, conduz soldados iraquianos mascarados através de uma ruela durante uma patrulha de segurança em Barwana, Iraque, em 15 de Jan. de2006. (Veja uma versão ampliada)

Porém, no momento as forças de coalizão mal tem tempo para cuidar destas metas estratégicas, tão paralisadas que estão com os seus objetivos táticos que não realizam a contento – clareando becos, mantendo a eletricidade fluindo, se protegendo de ataques suicidas, defendendo a "Zona Verde", e muitas outras pequenas tarefas irritantes.

Eu conclamo que as tropas internacionais sejam liberadas de dispositivos explosivos improvisados, buracos urbanos e escoltas armadas e que sejam transferidas para os desertos e fronteiras onde eles e seus equipamentos de alta tecnologia podem fazer seu papel estratégico.

Isto implica que a coalizão abandone sua exagerada e ambiciosa meta de um Iraque democrático, livre e próspero, ao invés disto teriam como objetivo um Iraque seguro, estável e decente. Em particular, realizar eleições em janeiro de 2005, uns meros 22 meses depois da derrubada do tirano, era prematuro e fora da realidade; os iraquianos precisarão de anos, talvez décadas, para aprender os hábitos sutis de uma sociedade aberta.

Remover Saddam Hussein foi um ato realista e bem-vindo de serviço de saúde pública internacional, mas consertar o Iraque diante de uma liberada, fraturada e ideológica população iraquiana, permanece além da vontade até onde a coalizão quer ir. A coalizão deu aos Iraquianos um novo começo; não pode se responsabilizar por eles nem pode reconstruir seu país.

Focalizando também no nível estratégico, significa que a coalizão se distancie dos acontecimentos internos do Iraque e trate os iraquianos como adultos que amoldam seu próprio destino, não como custódias: chega de abraçar os líderes do país, de tratar seus parlamentares como subalternos, nem de encorajar parceiros locais a emigrarem para Dinamarca ou para os Estados Unidos.

Isso significa ficar no curso, porém alterando-o, transferi-lo para as bases no deserto, não abandonar o Iraque.

Categoria do Artigo:: Iraque, Política externa dos Estados Unidos