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Turquia, Ainda um Aliado do Ocidente?
por Daniel Pipes
Jerusalem Post
5 de Dezembro de 2007
Original em inglês: Turkey, Still a Western Ally?
Tradução: Joseph Skilnik
"Longe de ser a fonte do anti-americanismo na Turquia, o AKP representa um parceiro ideal para os Estados Unidos na região". Assim garante Joshua W. Walker, um ex-oficial da reserva da Turquia no Departamento de Estado estudando atualmente na Universidade de Princeton, que responde ao Partido do Desenvolvimento e Justiça (conhecido como o AKP). Escrevendo no The Washington Quarterly, Walker defende sua tese realçando o papel construtivo da Turquia no Iraque, elogiando "o quão cuidadosamente o AKP guarda a aliança [com os EUA] e tenta trabalhar com a administração Bush, particularmente se comparado a outras nações européias".
Não é apenas isso; ele dá boas-vindas ao enfraquecimento da secular elite governante da Turquia a qual ele despreza por ter tido "sucesso durante décadas na definição do secularismo de maneira tão estreita para salvaguardar as antiquadas e repressivas características antidemocráticas do estado turco".
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 Recep Tayyip Erdoğan (centro), o então presidente do AKP da Turquia, se encontra com o Presidente George W. Bush (direita) e o então secretário de Estado Colin Powell no Salão Roosevelt da Casa Branca no dia 10 de dez. de 2002. |
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Esta análise, de "Reexaminar a Aliança EUA-Turquia", propõe um desafio a alguém como eu, que aprecia o histórico dos secularistas e suspeita o AKP de ser uma organização islâmica que procura impor a lei islâmica (a Shari‘a) e talvez de derrubar a secular ordem Atatürka para criar uma República Islâmica da Turquia.
Novas realidades requerem reavaliações dolorosas, deixando de lado calorosos sentimentos construídos numa aliança de quase 60 anos. São necessários passos corajosos para trazer de volta o país para o lado Ocidental e ao mesmo tempo minimizar os danos que uma Turquia governada por Islâmicos poderia fazer aos interesses Ocidentais. Embora atualmente todos os governos Ocidentais compartilhem com a fácil acomodação de Walker e até se entusiasmem com uma Turquia cada vez mais hostil, não se deve permitir que palavras brandas e avaliações labiosas escondam o perigoso desenrolar dos atuais acontecimentos.
Walker auxilia a fornecer evidências dessas novas realidades. Para começar, o anti-americanismo prosperou de forma exuberante nos cinco anos de governo do AKP, a ponto de os turcos, em pesquisas de opinião, regularmente se mostrarem como a população mais hostil à América. Em 2000, as pesquisas mostraram que, 52 por cento viam favoravelmente os Estados Unidos; somente 9 por cento pensam dessa maneira em 2007. O governo de Recep Tayyip Erdoğan e de Abdullah Gül indisputavelmente ajudaram a fomentar o que Walker chama de "uma descida de longo prazo num anti-americanismo que simplesmente não pode ser apagada com um novo presidente norte-americano em janeiro de 2009".
O evento catalítico, agora emblemático, foi o voto do parlamento turco de 1º de março de 2003, de não permitir as forças americanas de usar a Turquia como plataforma para atacar o regime de Saddam Hussein no Iraque. Esta recusa criou uma suspeita mútua e Ancara foi excluída da tomada de decisões sobre o Iraque, uma exclusão que teve conseqüências importantes quando o Governo Regional Curdo tomou o poder no norte do Iraque, permitindo a um grupo terrorista anti-turco, o Partido do Trabalhador do Curdistão (conhecido como PKK), de usar o território iraquiano para organizar ataques contra interesses turcos, inflamando a opinião pública turca.
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 Ahmet Davutoğlu, chefe da política externa de Erdoğan e criador da doutrina "profundidade estratégica". |
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O desenvolvimento de uma doutrina de política externa dramaticamente nova, batizada de "profundidade estratégica", que conclama Ancara a enfatizar as relações com os vizinhos e diminuir a dependência de Washington, também criou tensões quando seu principal defensor, Ahmet Davutoglu, se tornou o conselheiro de política externa do chefe de Erdogan. Walker reconhece que "Este tipo de política não traz bons presságios para a histórica aliança norte-americana".
Ironicamente, estes problemas até certo ponto são auto-infligidos, porque a administração Bush, em uma proposta anterior de encorajar Islâmicos legais a se elegerem ao poder, no final de 2002 ajudou Erdogan a estabilizar sua então trêmula situação legal. Isso quando, abrindo precedente, o presidente o conheceu – na época apenas um líder de partido, não uma figura oficial – na Casa Branca. Na estimativa de Walker, isto enviou "um sinal claro de apoio da administração Bush a Erdogan e ao governo do AKP".
Junto com o Japão, a Turquia mostrou estar entre os países mais maleáveis. Em apenas quinze anos e quase que sozinho, Atatürk conseguiu virar o país em direção ao Ocidente; em apenas cinco anos, Erdogan começou a virá-lo para o Oriente. A recente transformação aconteceu tão depressa que – apesar das relações formais com a OTAN – a Turquia já não pode ser considerada uma aliada do Ocidente. Nem, certamente, ela é inimiga. De certa maneira, cai num status mediano – como a Rússia, a China e a Arábia Saudita – de rival. Um dia coopera, no próximo compete. Rapidamente, ela pode muito bem ameaçar.
Influências externas terão impacto limitado numa Turquia determinada a virar Islâmica, mas as ferramentas existentes devem ser empregadas em sua totalidade. Mais importante, a uma Turquia ideologicamente agressiva deve ser negada a entrada como membro na União Européia.
Categoria do Artigo:: Alianças estratégicas, Turquia
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