47 leitores online

Categoria do Artigo:

 

Textos Mais Recentes

 

Versão para Imprimir

Entregue Gaza ao Egito

por Daniel Pipes
Jerusalem Post
30 de Janeiro de 2008

Original em inglês: Give Gaza to Egypt
Tradução: Joseph Skilnik

O assustador desenrolar dos acontecimentos em Gaza realçam a necessidade de uma mudança na política do Ocidente em relação a este perturbado território de 1,3 milhao de pessoas.

A história contemporânea de Gaza começou em 1948, quando forças egípcias invadiram a área controlada pelos Britânicos e Cairo patrocinou o nominal "Governo Integral-Palestino" ao passo que de fato governava o território como um protetorado. Essa disposição terminou em 1967, quando a liderança israelense assumiu defensivamente o controle de Gaza, relutantemente herdando um território densamente povoado, pobre e hostil.

No entanto, por vinte anos a população de Gaza, na sua grande maioria aquiesceu ao governo israelense. Só com a intifada, iniciada em 1987 fez com que se auto-afirmassem; sua violência e seu custo político convenceram os israelenses a abrirem um processo diplomático culminando com os acordos de Oslo de 1993. O Acordo Gaza-Jerico de 1994 transferiu então o território para a Fatah de Yasir Arafat.

Supostamente esses acordos trariam estabilidade e prosperidade a Gaza. Os executivos que retornassem iriam revigorar a economia. A Autoridade Palestina reprimiria os islâmicos e suprimiria os terroristas. Yasir Arafat proclamou que "construiria uma Cingapura ali", na realidade uma destra comparação, já que a Cingapura independente começou de forma desfavorável em 1965, pobre e assolada por conflitos étnicos.

Habitantes de Gaza atravessando para o território egípcio no dia 23 de janeiro por uma brecha na cerca de 13 metros de altura.

Claro que, Arafat não era nenhum Lee Kuan Yew. As condições em Gaza se deterioraram e os islâmicos, longe de estarem neutralizados, subiram ao poder: o Hamas ganhou as eleições de 2006 e em 2007 tomaram o total controle de Gaza. A economia encolheu. Em vez de acabar com o terrorismo, a Fatah uniu-se a ele. Os habitantes de Gaza começaram a lançar foguetes através da fronteira em 2002, aumentando sua freqüência e sua carnificina com o passar do tempo, finalmente tornando praticamente inabitável a cidade israelense de Sderot.

De fronte com uma Gaza letal, o governo israelense de Ehud Olmert decidiu isolá-la, com a esperança de que as dificuldades econômicas motivariam seus habitantes a culparem o Hamas e se virarem contra ele. Ate certo ponto deu certo, a popularidade do Hamas diminuiu. Os israelenses também atacaram os terroristas a fim deter os ataques com foguetes. Ainda assim, as agressões continuaram; no dia 17 de janeiro, os israelenses intensificaram as operações cortando o envio de combustível e fechando as fronteiras. "Por mim" declarou Olmert, os "residentes de Gaza andarão à pé, sem gasolina para os seus carros, porque eles têm um regime assassino, terrorista que não deixa as pessoas no sul de Israel viverem em paz".

Isso parecia razoável, mas a imprensa mostrou histórias de cortar o coração sobre os sofrimentos dos habitantes de Gaza que estariam morrendo devido aos cortes, imediatamente sobrepujando a posição israelense. Apelos e condenações ao redor do mundo exigiam que o israelenses aliviassem a situação.

Depois, no dia 23 de janeiro, o Hamas assumiu o controle da situação com as suas próprias mãos, com uma inteligente tática surpresa: depois de meses de preparação, demoliu grandes segmentos ao longo dos 12 km de comprimento e dos 13 metros de altura da parede da fronteira que separa Gaza do Egito, simultaneamente ganhando a benevolência dos habitantes de Gaza, arrastando Cairo para dentro do quadro. Politicamente, as autoridades egípcias não tiveram nenhuma escolha senão a de contrariadamente absorver 38 guardas de fronteira feridos e permitir a entrada temporária de centenas de milhares de pessoas no distante nordeste de seu país.

Os israelenses trouxeram a si mesmos esta totalmente evitável e difícil situação, por incompetência – assinando acordos ruins, entregando Gaza ao assassino Arafat, expulsando seus próprios cidadãos, permitindo eleições prematuras, consentindo a conquista do Hamas e abandonando o controle da fronteira ocidental de Gaza.

O que poderiam fazer agora países ocidentais? A fronteira rompida, apresenta, ironicamente, uma oportunidade para a arrumar a casa.

"Egípcios e Palestinos são um povo, não dois povos" diz o cartaz na mão de um palestino no dia 29 de jan. de 2008.

Washington e outras capitais deveriam declarar a experiência de auto-governo em Gaza um fracasso e pressionar o Presidente Hosni Mubarak do Egito a ajudar, talvez provendo Gaza com terra adicional ou até mesmo anexá-la como província. Isto reverteria à situação de 1948-67, com a diferença que desta vez Cairo não teria Gaza ao alcance das mãos mas sim ficaria sob sua responsabilidade.

Culturalmente, esta é uma conexão natural: os habitantes de Gaza falam um árabe coloquial idêntico aos egípcios do Sinai, tem mais vínculos familiares com o Egito do que com os da Cisjordânia e estão mais conectados economicamente com o Egito (lembrem-se da abundância de túneis dos contrabandistas). Além disso, o Hamas deriva de uma organização egípcia, a Irmandade Muçulmana. Como David Warren do Ottawa Citizen observa, que chamar os habitantes de Gaza de "palestinos" é menos exato do que politicamente correto.

Por que não formalizar a conexão egípcia? Entre outros benefícios, iria (1) por fim aos foguetes contra Israel, (2) expôr a superficialidade do nacionalismo palestino, uma ideologia com menos de um século de existência e talvez (3) abrir o beco sem saída árabe-israelense.

É difícil adivinhar que benefício os contribuintes americanos tiveram com os 65 bilhões de dólares esbanjados com o Egito desde 1948; mas o Egito absorver Gaza poderia justificar o continuado fornecimento de 1,8 bilhões por ano.

Categoria do Artigo:: Conflito e diplomacia árabe-israelense, Egito, Palestinos