Daniel Pipes
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Vitória do Hezbollah, Declínio de Israel

por Daniel Pipes
Mídia Sem Máscara
11 de Fevereiro de 2004

Original em inglês: Hezbollah's Victory, Israel's Decline

Em 1787, quando chegava ao fim a Convenção Constitucional na Filadélfia, perguntado se o que se havia criado ali era uma monarquia ou uma república, Benjamin Franklin respondeu: "Uma república, se a souberdes resguardar."

Seu pessimismo vem-nos à lembrança toda vez que uma república comete um erro terrível, da política francesa de concessões à Alemanha nos anos 30 à política gradualista dos americanos no Vietnã, ou à atual política sul-coreana, "Luz do Sol".

E de novo a preocupação de Franklin pareceu oportuna na quinta-feira passada, quando Israel efetuou uma troca de prisioneiros das mais insólitas com o Hezbollah, um dos principais grupos terroristas do mundo.

Por um civil israelense sem escrúpulos, capturado possivelmente no momento em que realizava transações duvidosas, e ainda pelos restos mortais de três soldados, Israel libertou 429 terroristas e criminosos, incluídos 400 palestinos, 23 libaneses, cinco outros árabes e um alemão, assim como 59 corpos.

Surpreende muito pouco saber, na descrição do New York Times, que a troca inspirou "um dia de celebração nacional" no Líbano e um humor sombrio em Israel. Tampouco causa espanto ouvir o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, dizer que "o momento não é de felicidade".

Sharon explicou em seguida os motivos que o levaram a fazer a troca, atribuindo-os aos familiares dos soldados israelenses mortos: "Três famílias queridas, cujas almas não tiveram descanso nos últimos quarenta meses, poderão agora unir suas dores em volta de uma sepultura modesta, e com serenidade, pois uma promessa foi cumprida, e uma decisão moral e justa foi tomada, a despeito do alto preço que representou."

Em outras palavras, tomou-se uma importante decisão de estado para que três famílias tivessem um pouco de conforto. Mas que conseqüências estratégicas tem para Israel esse ato de moralidade aparente?

O governo Sharon desapontou ainda seus aliados na guerra global contra o terror.

Tantas conseqüências negativas suscitam dúvidas quanto à moralidade da decisão do governo israelense.

Em suas primeiras décadas de existência, a habilidade estratégica de Israel tornou-se lendária ao transformar um país vulnerável em uma potência regional.A década passada testemunhou o processo inverso, pelo qual a potência reduziu-se a um alvo tentador. Que tal transformação seja inteiramente auto-induzida e efetuada através do processo democrático torna o zelo profético de Benjamin Franklin algo demasiado real.

Até onde vai o declive? Até lá, qual o tamanho do estrago?

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