Daniel Pipes
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Eles são terroristas, não ativistas

por Daniel Pipes
Mídia Sem Máscara
17 de Setembro de 2004

Original em inglês: [Beslan Atrocity:] They're Terrorists - Not Activists
Tradução: Márcia Leal

"Eu a reconheço quando a vejo" foi a famosa resposta de um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos à controversa questão de como definir a pornografia. É provável que o terrorismo não seja menos difícil de definir, porém a matança gratuita e cruel de crianças em uma escola, de enlutados em um funeral ou de trabalhadores colhidos em seus escritórios nos arranha-céus com certeza se encaixa no tipo de definição "sei-o-que-é-quando-vejo-um".

Os jornais, contudo, fogem em regra da palavra "terrorista", preferindo os eufemismos. Vejam o ataque que levou à morte cerca de 400 pessoas, muitas delas crianças, em Beslan, Rússia, no dia 3 de setembro. Os jornalistas reviraram seus dicionários e encontraram no mínimo vinte eufemismos para "terroristas":

E o meu favorito:

As origens dessa má-vontade em nomear os terroristas parecem estar no conflito árabe-israelense, motivada por uma estranha combinação entre a simpatia manifesta da imprensa e os atos de intimidação dos árabes-palestinos. A simpatia é bem conhecida; a intimidação, menos. Nidal al-Mughrabi, da Reuters, referiu-se à segunda de maneira explícita quando aconselhou os correspondentes em Gaza a evitarem problemas, dando a seguinte dica no website www.newssafety.com: "nunca use a palavra ‘terrorista' ou ‘terrorismo' ao descrever palestinos armados e militantes; para as pessoas, eles são os heróis do conflito."

A relutância em chamar os terroristas pelo nome correto pode atingir níveis absurdos de inexatidão e justificações. Por exemplo, o programa Morning Edition, da National Public Radio, anunciou em 1º. de abril de 2004 que "as tropas israelenses prenderam doze homens apontados como "militantes procurados". Mas o Camera, Committee for Accuracy in Middle East Reporting in America, denunciou o erro e a NPR fez a correção no ar, no dia 26 de abril: "noticiamos que as forças israelenses tinham comunicado a detenção de doze homens que eram ‘militantes procurados'. Entretanto, a frase originalmente usada pelos militares israelenses foi ‘terroristas procurados'."

(A NPR, pelo menos, corrigiu-se. Quando o Los Angeles Times cometeu o mesmo erro, ao escrever que "Israel efetuou uma série de operações na Margem Ocidental que o exército definiu como buscas a militantes palestinos procurados", os editores recusaram-se a corrigir o engano conforme lhes pedira o Camera, com o argumento de que a mudança na terminologia não havia alterado nenhuma citação direta.)

O Metro, um jornal holandês, publicou uma foto, em 3 de maio de 2004, das duas mãos enluvadas de alguém que tirava as impressões digitais de um terrorista morto. A legenda dizia: "um oficial da polícia israelense toma as impressões digitais de um morto palestino. Ele é uma das vítimas (slachtoffers) que morreram ontem, na Faixa de Gaza." Uma das vítimas!

O emprego de eufemismos espalhou-se do conflito árabe-israelense para outros palcos. À medida que o terrorismo se intensificava na Arábia Saudita, os meios de comunicação, como o Times (de Londres) e a Associated Press, começaram a usar regularmente "militantes" em referência aos terroristas sauditas. A Reuters emprega-o em relação à Caxemira e à Argélia.

"Militantes" tornou-se, assim, o termo padrão para terroristas.

Essas restrições de linguagem auto-impostas por vezes colocam os jornalistas em becos sem saída. Ao noticiar a morte de um de seus próprios câmaras, a BBC, que normalmente evita a palavra "terrorista", acabou por a utilizar. Para dar outro exemplo, o mecanismo de busca instalado no website da BBC indica uma ocorrência para "terrorista", mas a palavra foi expurgada da página em questão.

Agências de notícias politicamente corretas arriscam a credibilidade com tais subterfúgios. Como alguém pode acreditar naquilo que lê, escuta ou vê, quando o fato auto-evidente do terrorismo é parcialmente negado?

Pior, os múltiplos eufemismos para "terrorista" impedem o entendimento claro das violentas ameaças com que se defronta o mundo civilizado. Já é ruim o bastante que apenas um de cada cinco artigos sobre a atrocidade de Beslan mencione as origens islâmicas do atentado; pior ainda é o miasma que se desprende das palavras e isola o público do mal do terrorismo.

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