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Os protestos contra as charges prejudicam os muçulmanos

por Daniel Pipes
New York Sun
14 de Fevereiro de 2006

Original em inglês: How the Cartoon Protests Harm Muslims
Tradução: Márcia Leal

Quais são as conseqüências a longo prazo das reações de fúria contra as caricaturas de Maomé? Prevejo que o furor muçulmano contribuirá não para um choque de civilizações, mas para um mútuo afastamento. Essa separação, em curso há alguns anos, tem implicações alarmantes.

Os sinais de ruptura estão por toda parte.

Tais desdobramentos sugerem o que o primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Ahmad Badawi, chamou de "enorme fenda" aberta entre o Islã e o Ocidente. Ou, na linguagem belicosa do influente imã sunita Youssef al-Qaradawi, "temos que dizer ao europeus: não precisamos de vocês para viver, mas vocês precisam de nós".

Se a fenda se alargar, com a redução simultânea do contato humano, das relações comerciais e dos compromissos diplomáticos, certamente o mundo islâmico ficará bem mais atrasado do que é. Como observei em 2000, "seja qual for o índice aplicado, os muçulmanos se agrupam no final da escala — não importa se avaliados em termos de potência militar, estabilidade política, desenvolvimento econômico, corrupção, direitos humanos, saúde, longevidade ou alfabetização".

O afastamento só agravaria uma situação já difícil. A limitação dos contatos com os países mais modernos, poderosos e avançados do mundo por certo levaria os muçulmanos a resultados ainda piores e os arrastaria fundo na autopiedade, na inveja, no ressentimento, na raiva e na agressão.

Essas circunstâncias traumáticas, especialmente se comparadas aos triunfos dos muçulmanos na era pré-moderna, ajudam a explicar a crise de identidade que amiúde os impele a buscar refúgio no Islã radical. Para o bem de todos, é importante que os muçulmanos consigam transpor com mais sucesso o caminho da modernidade, e não o do isolamento.

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