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Intimidando o Ocidente, de Rushdie ao Papa Bento XVI

por Daniel Pipes
New York Sun
26 de Setembro de 2006

Original em inglês: Intimidating the West, from Rushdie to Benedict
Tradução: Joseph Skilnik

A violência dos muçulmanos, ao reagirem aos comentários do Papa, se encaixam num padrão que vem crescendo e aumentando desde 1989. Por seis vezes desde então, os ocidentais fizeram ou disseram algo que ativou ameaças de morte e violências no mundo muçulmano. Observando-os em conjunto teremos algumas percepções úteis.

Esses seis eventos mostram a freqüência, quase dobrando ao longo do tempo: 8 anos entre a primeira e a segunda ocorrência, em seguida 5, depois 3, 1 e ½.

Primeiro exemplo – o edito do Aiatolá Khomeini contra o Sr. Rushdie – foi um choque completo, ninguém até aquela data podia imaginar que um ditador muçulmano pudesse impor a um cidadão britânico que mora em Londres o que ele pode ou não escrever. Dezessete anos depois, pedidos de execução do Papa (incluindo alguém na Catedral de Westminster, em Londres) tinham se tornado algo corriqueiro. O ultrajante virou rotineiro, quase previsível. À medida que as sensibilidades muçulmanas aumentaram, as dos Ocidentais ficaram mais fleumáticas.

Escultura de Maomé no Superior Tribunal norte-americano

Os incidentes na Europa (do sr. Rushdie, das caricaturas dinamarquesas e do Papa Bento XVI) se espalharam bem mais do que os dos Estados Unidos (Superior Tribunal, Reverendo Falwell, o caso do Alcorão na privada), refletindo maior eficácia da agressão Islâmica contra os europeus do que contra os americanos.

Os muçulmanos ignoram sutilezas. O realismo mágico de Sr. Rushdie, a decisão positiva do Superior Tribunal na questão da escultura, a falsa história do Alcorão na privada (já tentou jogar um livro privada abaixo?), a natureza benigna das caricaturas dinamarquesas, ou as sutilezas da fala de Bento XVI – nada disso importa.

O que desperta as multidões muçulmanas e o que não o faz é um tanto imprevisível. Os Versos Satânicos não são nem de perto tão ofensivas às sensibilidades muçulmanas como uma série de outras escritas, medievais, modernas e contemporâneas. Outros evangélicos americanos disseram coisas piores sobre Maomé que o reverendo Falwell; o pregador sulista Jerry Vines chamou o profeta muçulmano de "um pedófilo possuído pelo demônio que tinha 12 esposas", sem que isso resultasse em violência. Por que motivo a reação ao pregador norueguês Runar Søgaard, que considerou Maomé "um pedófilo confuso", permanece uma questão local, enquanto a resposta às caricaturas dinamarquesas se espalhou mundo afora?

Uma possível resposta é a de que muçulmanos com influência internacional (aitolá Khomeini, CAIR, Sr. Khan, Abu Laban) normalmente são o elemento chave em transformar uma sensação geral de desconforto numa fúria operacional. Sem os agitadores muçulmanos, a questão permanece relativamente calma.

A extensão da violência é ainda mais imprevisível – não se podia antecipar que as caricaturas causassem o maior número de fatalidades, enquanto a citação do papa a menor. E por que tanta violência na Índia?

Estes incidentes também evidenciam uma total falta de reciprocidade por parte dos muçulmanos. O governo saudita proíbe Bíblias, cruzes e estrelas de David e os muçulmanos habitualmente publicam caricaturas asquerosas sobre os judeus.

Nenhuma conspiração está por trás dessas seis rodadas inflamatórias e agressivas mas, examinadas em retrospecto, elas se fundem e formam uma única, prolongada campanha de intimidação, e certamente virá mais. A mensagem básica – "Vocês ocidentais já não têm o privilégio de dizer o que bem entenderem sobre Islã, o Profeta, e o Corão, a lei islâmica agora os rege também"– voltará de novo e outras vezes, até que os ocidentais se submetam ou que os muçulmanos entendam que o seu esforço foi em vão.

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