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Como o Ocidente poderia perderpor Daniel Pipes http://pt.danielpipes.org/4245/como-o-ocidente-poderia-perder Original em inglês: How the West Could Lose Depois de vencer os fascistas e os comunistas, o Ocidente pode vencer os islamistas? Sua preponderância militar faz a vitória parecer indiscutível à primeira vista. Ainda que Teerã desenvolva uma arma nuclear, os islamistas não têm nada semelhante à máquina militar utilizada pelo Eixo na Segunda Guerra Mundial ou pela União Soviética na Guerra Fria. O que têm os islamistas que se compare à Wehrmacht ou ao Exército Vermelho? Às SS ou às Spetznaz? À Gestapo ou à KGB? Ou mesmo a Auschwitz ou ao Gulag? Contudo, não poucos analistas, entre os quais me incluo, receiam que as coisas não sejam simples assim. Os islamistas (definidos como pessoas que exigem viver sob a lei sagrada do Islã, a sharia) poderiam sair-se efetivamente melhor que os outros totalitaristas. Eles poderiam até vencer. Isso porque o Ocidente é como um computador cujo hardware tenha grande potência, e o software apresente bugs virtualmente fatais. Desses bugs, três são dignos de nota — o pacifismo, o ódio de si mesmo e a presunção. Pacifismo. Entre as pessoas cultas, predomina a convicção de que "não existe solução militar" para os problemas da atualidade, um mantra aplicado a todas as questões do Oriente Médio — Líbano, Iraque, Irã, Afeganistão, os curdos, o terrorismo e o conflito árabe-israelense. Mas esse pacifismo pragmático ignora o fato de que a história moderna está repleta de soluções militares. As derrotas do Eixo, dos Estados Unidos no Vietnã ou da União Soviética no Afeganistão, o que foram senão soluções militares? Ódio de si mesmo. Figuras importantes em vários países ocidentais — especialmente nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Israel — acreditam que seus governos são depositários do mal e vêem o terrorismo como uma punição justa por erros passados. A postura do "encontramos o inimigo, e ele somos nós" substitui uma reação eficaz por gestos de conciliação, inclusive a disposição para renunciar a tradições e conquistas. Osama bin Laden celebra nominalmente esquerdistas como Robert Fisk e William Blum. Ocidentais com ódio de si mesmos ganham uma importância desmedida por seu papel como formadores de opinião nas universidades, na mídia, nas instituições religiosas e nas artes. Eles servem os islamistas como mujahideen auxiliares. Presunção. A inexistência de uma considerável máquina militar em mãos islamistas imbui muitos ocidentais, principalmente à esquerda, de um sentimento de desdém. Se a guerra convencional — com seus homens em uniformes, seus navios, tanques e aviões, suas batalhas sangrentas por territórios e recursos — é simples de compreender, a guerra assimétrica contra o Islã radical é elusiva. Estiletes e cinturões explosivos dificultam a percepção do inimigo como um adversário respeitável. Muitos partilham com John Kerry a visão de que o terrorismo é um mero "aborrecimento". Os islamistas, no entanto, utilizam recursos tremendos, que deixam longe o terrorismo em menor escala:
O pacifismo, o ódio a si mesmo e a presunção levam ao prolongamento da guerra contra o Islã radical e causam mortes injustificadas. Ao que parece, só depois de sofrerem perdas humanas e materiais em níveis catastróficos os ocidentais de esquerda serão capazes de superar esse padecimento triplo e enfrentar a ameaça em sua dimensão real. Então o mundo civilizado sairá vencedor, mas tardiamente e a um custo maior que o necessário. Se os islamistas forem inteligentes e evitarem a destruição em massa, optando por uma via legal, política e não-violenta, e se o vigor do movimento persistir, é difícil saber o que poderá detê-los.
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Todo o material deste site ©1980-2012 Daniel Pipes. Traduzido por Márcia Leal. |
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