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por Daniel Pipes
New York Sun
17 de Julho de 2007
Original em inglês: Red Mosque in Rebellion
Tradução: Joseph Skilnik
Imagine que exista um comando islâmico central — e que você é seu principal estrategista, com um mandato para difundir a total aplicação da Shariah, ou lei islâmica, por qualquer que seja o meio disponível, com a meta final de um califado ao redor do mundo. Que conselho você daria para seus camaradas após o resultado de oito dias de rebelião na Mesquita Vermelha em Islamabad, capital do Paquistão?
Provavelmente, você revisaria as últimas seis décadas de esforços dos islâmicos e concluiria que você tem três principais opções: derrubar o governo, trabalhar através do sistema ou uma combinação dos dois.
Os islâmicos podem usar vários catalisadores para conseguir o poder. (Eu me baseio aqui na "Esperar o Outro Sapato Cair: Qual a Inevitabilidade de um Futuro Islâmico?" por Cameron Brown.)
Um estrategista inteligente deveria concluir desta pesquisa que raramente a derrubada de um governo conduz à vitória. Em contraste, eventos recentes mostram que trabalhar através do sistema oferece chances melhores — observe os sucessos eleitorais islâmicos na Argélia (1992), em Bangladesh (2001), na Turquia (2002) e no Iraque (2005). Mas trabalhando dentro do sistema, estes casos também sugerem, tem suas limitações. O melhor é uma combinação de amolecer o inimigo através de meios legais, depois apanhar o poder. A Autoridade Palestina (2006) oferece um caso desses com socos rápidos tendo sucesso, com o Hamas ganhando as eleições, depois organizando uma insurreição. Um outro exemplo bem diferente desta combinação ocorreu a pouco no Paquistão.
O vasto complexo da Mesquita Vermelha, também conhecida como o Lal Masjid, onde se situam as instituições que regem o Paquistão, ostentam conexões existentes há muito tempo para as elites do regime e inclui madrassas enormes para homens e mulheres. Mas, voltando-se contra seus benfeitores, estudantes usando burcas e carregando Kalashnikovs - confrontaram a polícia em janeiro 2007 para impedí-los de demolir um prédio ilegalmente construído.
Em abril, o vice imam da mega-mesquita Abdul Rashid Ghazi, anunciou a imposição da Shariah "nas regiões sob nosso controle" e estabeleceu um tribunal islâmico que emitiu decretos e julgamentos, rivalizando com os do governo.
A mesquita enviou então alguns de seus milhares de estudantes da madrassa para trabalharem como uma força de polícia da moral em Islamabad, para obrigar que o regime seja do estilo Taliban, localmente com a meta final de esparramá-lo por todo o país. Os estudantes fecharam barbearias, ocuparam a biblioteca das crianças, saquearam lojas de música e vídeo, atacaram supostos bordéis e torturaram as ditas senhoras. Eles seqüestraram até mesmo policiais.
A liderança da Mesquita Vermelha ameaçou com atentados suicidas se o governo de Pervez Musharraf tentasse controlar sua tentativa de quase-soberania. Forças de Segurança ficaram de fora. O impasse de seis meses culminou no dia 3 de julho, quando os estudantes da mesquita, alguns mascarados e armados, saquearam um posto policial de fiscalização, ministérios do governo e botaram fogo em carros, deixando 16 mortos.
Esta confrontação com o governo não tinha outro objetivo senão a de derrubar o governo, o vice imam da mesquita proclamou no dia 7 de julho: "Nós temos um firme crença em Deus que nosso sangue conduzirá a uma revolução [islâmica]". Ameaçado, o governo atacou a mega-mesquita no inicio do dia 10 de julho. A invasão que durou 36 horas descobriu um arsenal armazenado de coletes para homens suicidas, metralhadoras, bombas de gasolina, foguetes lançadores de granadas, minas anti-tanque — e cartas de instruções da liderança da Al-Qaeda.
O Sr. Musharraf classificou a madrassa de "uma fortaleza para a guerra". Ao todo, a revolta causou diretamente a morte de mais de 100 pessoas.
Mesquitas já foram usadas como lugares para estimular a violência, planejamento de operações e armazenamento de armas, mas como base para derrubar um governo cria um precedente. O modelo da Mesquita Vermelha oferece aos islâmicos uma tática corajosa, uma que eles provavelmente tentarão novamente, especialmente se o recente episódio que estremeceu o país sairá com sucesso tirando o Sr. Musharraf de seu cargo.
Em resumo, nosso estrategista islâmico imaginário pode agora lançar mão de outra tática para atingir poder.
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