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Obama e Israel, Adentro do Abismo

por Daniel Pipes
Philadelphia Bulletin
21 de Julho de 2009

Original em inglês: Obama and Israel, Into the Abyss
Tradução: Joseph Skilnik

O que eu denominei de "Uma Rápida e Dura Guinada contra Israel" da administração Obama teve três efeitos rápidos, previsíveis e contraproducentes. Estes apontam para dificuldades adicionais à frente.

Primeiro efeito: A decisão de Barack Obama de jogar duro com Israel se traduz em uma escalada de exigências dos palestinos sobre Israel. No início de julho, o chefe da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas e Saeb Erekat, seu principal negociador, insistiram em cinco concessões unilaterais de Israel:

Esta lista a direitos prévios tem como audiência alvo, palestinos e americanos; exigências tão exorbitantes, mostram os registros, somente reduzem a disposição israelense em fazer concessões.

O antigo Shepherd Hotel na parte oriental de Jerusalém.

Segundo efeito: O governo dos Estados Unidos marcha segundo as ordens de Abbas e passa-as adiante aos israelenses. Abbas queixou-se aos americanos que a construção de 20 apartamentos e uma garagem subterrânea na parte leste de Jerusalém no bairro de Shimon Hatzadik, 1,4 km ao norte da Cidade Velha, iria alterar o balanço demográfico de Jerusalém. O Departamento de Estado chamou imediatamente o embaixador de Israel em Washington, Michael Oren no dia 17 de julho e o instruiu a suspender o projeto da construção.

Alguns antecedentes: Os sionistas fundaram a comunidade de Shimon Hatzadik em 1891 através da compra de terras dos árabes, depois, devido aos distúrbios árabes e conquista jordaniana, abandonaram a região. Amin al-Husseini, o mufti pró nazista de Jerusalém, construiu um edifício em 1930 que depois foi transformado no Shepherd Hotel (não confundir com o renomado Shepheard's Hotel no Cairo). Após 1967, os israelenses designaram a terra como de "proprietário ausente". Irving Moskowitz, um homem de negócios americano, comprou a terra em 1985 e alugou o edifício à polícia de fronteira até 2002. Sua empresa, a C and M Properties, recebeu a autorização final há duas semanas para reformar o hotel e construir apartamentos na área.

Terceiro efeito: A exigência dos Estados Unidos impeliu a determinação israelense de não se curvar e de reiterar suas posições tradicionais. Oren rejeitou a exigência do Departamento de Estado. O primeiro ministro Binyamin Netanyahu, que confessou estar "surpreso" pela exigência dos Estados Unidos, assegurou a seus colegas "Não vou me dobrar nesta questão".

Em público, Netanyahu fechou as portas em relação a concessões. Insistindo que a soberania israelense sobre Jerusalém "não pode ser questionada", observou que "residentes de Jerusalém podem comprar apartamentos em qualquer lugar da cidade" e enfaticamente lembrou que "em anos recentes centenas de apartamentos em bairros judeus e na parte ocidental da cidade foram comprados por – ou alugados a – residentes árabes e nós não interferimos.

"Isto significa que não há proibição de árabes comprarem apartamentos na parte ocidental da cidade e que não há proibição de judeus comprarem ou construírem apartamentos na parte oriental da cidade. Esta é a política de uma cidade aberta, uma cidade não dividida que não tem separação de acordo com religião ou afiliação nacional".

Em seguida, sua causticante finalização: "Nós não podemos aceitar a idéia segundo a qual judeus não teriam o direito de viver e comprar em qualquer parte de Jerusalém. Eu posso só descrever para mim mesmo o que aconteceria se alguém propusesse que judeus não poderiam viver em certos bairros de Nova Iorque, Londres ou Roma. Certamente haveria um grande clamor internacional. Pelo mesmo critério, nós não podemos concordar com tal decreto em Jerusalém".

O ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman insistiu nesta mesma idéia enquanto Yuli Edelstein, ministro da Informação e da Diáspora, acrescentou que a exigência dos Estados Unidos "mostra o quão perigoso é ser arrastado para conversações sobre congelamento de assentamentos. Conversações desta natureza levarão a uma exigência de completo congelamento de nossas vidas em todo Estado de Israel".

Desde 27 de maio, quando a administração Obama iniciou seu ataque aos "assentamentos" israelenses, tem revelado uma inesperada ingenuidade; será que esta administração realmente tem que reaprender por si mesma o já bem conhecido fato de que Washington falha quando desmanda seu principal aliado do Oriente Médio? Ela então demonstrou uma vigorosa incompetência ao optar por uma briga em uma questão aonde existe um consenso israelense – não a respeito de um "posto avançado", mas sobre um bairro de Jerusalém, orgulho histórico sionista desde 1891.

Quanto tempo levará até que Obama compreenda seu erro e recue? Qual o tamanho do estrago que ele fará enquanto isso?

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