|
|||||||||||
|
|||||||||||
|
Artigos Relacionados Quando Israel desafiou Washingtonpor Daniel Pipes http://pt.danielpipes.org/8218/quando-israel-desafiou-washington Original em inglês: When Israel Stood Up to Washington [in 1981] À medida que as tensões entre os Estados Unidos e Israel escalam a alturas acima dos padrões corriqueiros, lembram uma rodada anterior de tensões ocorrida há cerca de trinta anos, quando Menachem Begin e Ronald Reagan estavam no governo. Diferente das repetidas desculpas de Benjamin Natanyahu, Begin adotou outro tipo de abordagem.
Contudo, essa medida foi tomada apenas duas semanas após a assinatura de um Acordo de Cooperação Estratégica, Estados Unidos – Israel, despertando muita irritação em Washington. De acordo com a iniciativa do Secretário de Estado Alexander Haig, o governo americano suspendeu o acordo recém assinado. Um dia depois, em 20 de dezembro, Begin convocou Samuel Lewis, embaixador dos Estados Unidos em Tel Aviv, para uma repreensão. Yehuda Avner, ex-assistente de Begin, apresenta o clima e o comentário sobre esse episódio em "Quando Washington se irritou e Begin se enfureceu." Em seu reconto, "O primeiro ministro convidou Lewis a se sentar, enrijecido, sentou-se, apanhou uma pilha de papéis em uma mesa ao seu lado, colocou-a em seu colo e [assumiu] uma expressão de pedra e uma voz de aço". Begin começou com "uma tonitruante recitação das perfídias perpetradas pela Síria através das décadas". Ele terminou com o que chama de "uma mensagem muito pessoal e urgente" ao Presidente Reagan (disponível no Web site do Ministério das Relações Exteriores de Israel). "Três vezes durante os últimos seis meses, O Governo dos Estados Unidos "puniu" Israel", disse Begin. Ele enumerou as três ocasiões: a destruição do reator nuclear iraquiano, o bombardeio do quartel general da OLP em Beirute e agora com a lei das Colinas de Golã. No decorrer da exposição, de acordo com Avner, Lewis interrompeu, mas sem sucesso: "Não é punição ao senhor, Sr. Primeiro Ministro, simplesmente a suspensão...," "Desculpe-me , Sr. Primeiro Ministro, não se trata ...," "Sr. Primeiro Ministro, eu preciso corrigi-lo...," e "Isso não é uma punição, Sr. Primeiro Ministro, é simplesmente uma suspensão até..." Preparado para dar vazão a sua raiva, Begin inspirou-se em um século de sionismo:
No seu mais ardente ataque aos Estados Unidos, Begin contestou a atitude moralista dos americanos a respeito de vitimas civis durante o ataque israelense a Beirute:
Referindo-se a decisão dos americanos de suspender o acordo assinado recentemente, Begin anunciou que "O povo de Israel viveu 3700 anos sem um memorando de entendimento com os Estados Unidos – e continuará a viver por outros 3700". Em um nível mais mundano, ele citou que Haig havia declarado, em nome de Reagan, que o governo dos Estados Unidos iria comprar armas israelenses no valor de US$ 200 milhões e outros equipamentos. "Agora você diz que não será mais assim. Isso por conseguinte é uma violação da palavra do presidente. Isso é costumeiro? Isso é correto?" Lembrando a recente disputa no senado americano sobre a decisão de vender aviões AWACS à Arábia Saudita, Begin observou que "ela foi acompanhada por uma vergonhosa campanha de antisemitismo". A título de ilustração, ele mencionou três peculiaridades: os slogans "Begin ou Reagan?" e "Nós não podemos deixar os judeus decidirem a política externa dos Estados Unidos", e ainda calúnias de que senadores como Henry Jackson, Edward Kennedy, Robert Packwood e Rudy Boschwitz "não são cidadãos leais". Respondendo às exigências de que a lei das Colinas de Golã seja rescindida, Begin invocou o sentido de rescisão propriamente dito aos "dias da Inquisição" e lembrou a Lewis que
Comentários: (1) O fim de 1981 marcou o ponto mais baixo nas relações Estados Unidos - Israel durante a administração Reagan. De maneira especial, a cooperação estratégica avançou nos anos subsequentes. (2) O Web site do Ministério qualifica a explosão de Begin "uma atitude sem precedentes"; à qual eu acrescento, não foi apenas sem precedentes, mas também jamais repetida. (3) A acepção de destino de Begin, combinada a sua grandeza de oratória impulsionou-o a responder às diferenças políticas atuais invocando 3700 anos de história judaica, a Inquisição, a Guerra do Vietnã e o antisemitismo americano. No processo, ele mudou os termos da argumentação. (4) Apesar da forte ofensa americana para com Begin, seu furioso ataque aumentou o orgulho e posicionamento israelense. (5) Os políticos em outros países atacam os Estados Unidos com muita frequência. Na realidade, Hamid Karzai, presidente do Afeganistão o fez na semana passada. Mas o objetivo dele – de convencer seus compatriotas de que ele não é, de fato, um líder que desfruta da sua posição devido ao apoio externo – difere fundamentalmente da asserção da dignidade de Israel por parte de Begin. (6) É difícil imaginar que outro político israelense, inclusive Benjamin Natanyahu, ousaria levar a cabo a agressão verbal de Begin. (7) No entanto, é possível que seja exatamente isso que Israel esteja precisando. -------------------------------------------------------------------------------- Atualização de 6 de abril de 2009: O leitor, Charles Gruenspan, salienta que Ariel Sharon ecoou de maneira distante a conversa da "república de bananas" de Begin em 4 de setembro de 2001, quando da sua declaração "Tchecoslováquia":
Tópicos Relacionados: Conflito e diplomacia árabe-israelense, Israel, Política externa dos Estados Unidos cadastre-se para receber gratuitamente o boletim semanal de daniel pipes em português Esse texto poderá ser reproduzido ou reencaminhado, contanto que seja apresentado em sua íntegra juntamente com informações completas sobre o autor, data, local da publicação e URL original. |
|
||||||||||
|
Todo o material deste site ©1980-2012 Daniel Pipes. Traduzido por Márcia Leal. |
|||||||||||