Daniel Pipes
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"Hoje Gaza, amanhã Jerusalém"

por Daniel Pipes
New York Sun
9 de Agosto de 2005

Original em inglês: "Today Gaza, Tomorrow Jerusalem"
Tradução: Márcia Leal

Os críticos de Israel estão certos? A "ocupação" da Cisjordânia e de Gaza é a causa do anti-semitismo dos árabes palestinos, de suas fábricas de suicidas, de seu terrorismo? Será verdade que os horrores só terão fim quando os civis e as tropas israelenses deixarem os territórios?

Em breve saberemos a resposta. A partir de 15 de agosto, o governo israelense removerá cerca de oito mil israelenses da Faixa de Gaza e passará o controle das terras em que eles vivem à Autoridade Palestina. Além de um evento inédito na história moderna (nenhuma outra democracia expulsou de seus domicílios legítimos milhares de cidadãos de uma única crença religiosa), será ainda a oportunidade de observar ao vivo um experimento raro em Ciências Sociais.

Estamos diante de uma divergência de opiniões. Se os críticos de Israel estiverem com a razão, a retirada de Gaza mudará para melhor a atitude dos palestinos em relação a Israel, levando ao fim das provocações e à diminuição da violência, e posteriormente ao retorno das negociações e à obtenção de um acordo definitivo. Manda a lógica que, se a "ocupação" é o problema, a retirada, mesmo parcial, deve trazer a solução.

Eu, porém, antecipo um desenlace bem diferente. Tendo-se em conta que 80% dos árabes palestinos continuam a rejeitar a simples existência de Israel, qualquer sinal de debilidade israelense tal como se retirar de Gaza significará, ao contrário, um incentivo ao irredentismo palestino. Após absorverem sem gratidão o novo presente, os árabes palestinos voltarão seu interesse para os outros territórios em poder dos israelenses. (Foi o que aconteceu depois que as forças israelenses deixaram o Líbano.) A retirada de Gaza não servirá à concórdia, mas a uma nova exaltação do repúdio, um frenesi de raiva anti-sionista, e ao ressurgimento da violência contra Israel.

Os próprios árabes palestinos o dizem abertamente. Em Gaza, um membro importante do Hamas, Ahmed al-Bahar, diz que "Israel nunca esteve em tal situação de recuo e debilidade como está hoje, em mais de quatro anos de intifada. Os ataques heróicos do Hamas expuseram a fraqueza e a impotência do aparato de segurança sionista. A retirada marca o fim do sonho sionista e é um sinal do declínio moral e psicológico do Estado judeu. Acreditamos que a resistência é o único meio de pressionar os judeus".

Sami Abu Zuhri, um porta-voz do Hamas, também afirma que a retirada "acontece graças às operações de resistência dos palestinos (...) e nós continuaremos a resistir".

Outros são mais específicos. Em uma manifestação promovida na Cidade de Gaza na quinta-feira passada, cerca de dez mil árabes palestinos dançaram, cantaram e entoaram "Hoje Gaza, amanhã Jerusalém". "Vamos transferir nossas células para a Cisjordânia", anunciou no domingo o comandante dos Comitês da Resistência Popular, Jamal Abu Samhadaneh, para avisar em seguida que "a retirada não estará completa sem a Cisjordânia e Jerusalém". Por sua vez, o chefe da Autoridade Palestina, Ahmed Qurei, assegurou: "Nossa marcha só termina em Jerusalém".

As intenções dos árabes palestinos preocupam até a esquerda israelense. Danny Rubinstein, um jornalista do Ha'aretz especializado em questões árabes, nota que o primeiro-ministro Sharon decidiu sair de Gaza somente após a escalada da carnificina antiisraelense na região. "Mesmo que esses ataques não tenham influenciado Sharon a adotar a idéia do desligamento, os palestinos estão certos de que é essa a verdade, e isso reforçou neles a convicção de que Israel compreende apenas a linguagem dos ataques terroristas e da violência."

A Israel National News divulgou mais comentários da esquerda:

Os acontecimentos provarão que os críticos de Israel estão completamente enganados, mas prevejo que eles não aprenderão coisa alguma dessa lição. Indiferentes aos fatos, continuarão a exigir mais e mais recuos. A retirada será para Israel como a colisão de um único carro que prepara a pista para novos desastres.

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