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Bush declara guerra ao Islã radical

por Daniel Pipes
New York Sun
11 de Outubro de 2005

Original em inglês: Bush Declares War on Radical Islam
Tradução: Márcia Leal

Um discurso corajoso de George W. Bush inaugurou na semana passada uma nova fase do que ele chama de "guerra ao terror".

A compreensão plena do que significam as palavras do presidente requer alguma história. Os islamistas (adeptos do Islã radical) deflagraram sua guerra aos Estados Unidos em 1979, quando o aiatolá Khomeini tomou o poder no Irã e mais tarde, no mesmo ano, seus seguidores invadiram a embaixada americana em Teerã.

Nos vinte e dois anos que se seguiram, contudo, os americanos julgaram enfrentar um problema de ordem criminal e não perceberam que uma guerra lhes tinha sido declarada. Em 1998, por exemplo, quando islamistas atacaram duas embaixadas americanas no leste da África, a reação de Washington foi enviar equipes de investigação, prender os criminosos, levá-los a Nova York, providenciar-lhes advogados de defesa, depois condená-los e colocá-los na prisão.

A segunda fase teve início na noite de 11 de setembro de 2001. Naquela data, Bush declarou uma "guerra contra o terrorismo" e rapidamente o governo dos Estados Unidos entrou em estado de guerra, adotando, entre outras medidas, a Lei Patriótica. Apesar de favorável às modificações, por quatro anos critiquei o conceito de guerra contra uma tática militar, o da "guerra contra o terrorismo", por considerá-lo eufemístico, impreciso e obstrutivo. Insisti com o presidente para que, em vez disso, abrisse uma terceira fase pela admissão de que essa é uma guerra contra o Islã radical.

Bush chegou a mencionar o Islã radical algumas vezes — para ser exato, nove dias após o 11 de Setembro —, mas não com a freqüência e os detalhes necessários para provocar uma mudança de opinião. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também fez avançar o debate, ao enfatizar em julho, depois dos atentados a bomba em Londres, a existência de "uma ideologia religiosa, uma força influente dentro da religião islâmica mundial".

Mas a terceira fase começou de fato em 6 de outubro, com o discurso de Bush ao National Endowment for Democracy. Ele não só deu vários nomes à retaguarda do terrorismo ("Alguns chamam esse mal de radicalismo islâmico; outros, de jihadismo militante; outros ainda, de islamo-fascismo"), como foi minucioso na análise do tema. A destacar, ele:

O conteúdo farto em detalhes do discurso de Bush altera a visão oficial americana sobre a identidade do inimigo, levando-a da noção superficial e inadequada de "terrorismo" ao conceito muito mais exato de "radicalismo islâmico". Essa alteração pode ter uma importância efetiva se, vinte e seis anos depois, enfim convencer os politicamente corretos a nomearem o inimigo.

Isso implica, por exemplo, que as autoridades de imigração e as forças de segurança levem em conta o Islã ao decidir quem deixarão entrar no país ou quem investigar por atos terroristas. Centrar a atenção nos muçulmanos como a origem exclusiva do radicalismo islâmico fará com que elas desempenhem suas tarefas de maneira adequada.

Não obstante os progressos, o discurso de Bush esteve longe do perfeito. Ao citar o Alcorão, ele retrocedeu a 2001, quando esclareceu os muçulmanos sobre a verdadeira natureza da fé islâmica; ao comentar que os extremistas distorcem "a idéia de jihad", ele infelizmente transmitiu a noção de que a jihad é positiva.

Mais sério, porém, foi ele ter limitado o "império islâmico extremista" (ou califado) à região que vai da Espanha à Indonésia, pois os islamistas, segundo a visão global que os caracteriza, devem exercer o controle também sobre países não-muçulmanos — e especificamente sobre os Estados Unidos. É certo que suas ambições universalistas podem ser frustradas, mas antes é necessário entendê-los e opor-lhes resistência. Só quando os americanos compreenderem que os islamistas pretendem substituir a Constituição dos Estados Unidos pela shariah estarão prontos para a quarta e última fase dessa guerra.

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