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Editora vs. Liberdade Acadêmica

por Daniel Pipes
Mídia Sem Máscara
7 de Abril de 2004

Original em inglês: California [University Press] vs. Academic Freedom

Críticas à marcha global dos acadêmicos rumo à esquerda tendem a focalizar atitudes grotescas em salas de aula, declarações tolas à imprensa, artigos com títulos incompreensíveis e esforços em punir estudantes que cometam a temeridade de discordar de seus professores radicais.

Os livros, porém, são mais importantes que isso tudo. Os livros constituem o centro da erudição acadêmica. Artigos desaparecem, resenhas vaporizam-se e lições em salas de aula efervescem; os livros ficam. Eles formam a estrutura do saber e podem exercer influência sobre gerações.

Que tipo de livros, então, têm sido escritos pelos mais eminentes estudiosos da atualidade?

Para uma amostra representativa, fui ao catálogo de publicações para a primavera de 2004 divulgado por uma das maiores e mais prestigiadas editoras universitárias da América, a University of California Press. O catálogo é um negócio substancial, com 116 páginas, projeto gráfico exuberante, ricas ilustrações e capa espetacular.

Os livros publicados pela California, contudo, deixam muito a desejar. Sim, há investigações apolíticas sobre a evolução dos mamíferos e os últimos anos de Mark Twain, mas o tom uniforme da hostilidade esquerdista contra as intituições estabelecidas e o acolhimento ardoroso do radicalismo definem o caráter da lista.

O primeiro grupo inclui numerosos ataques ao governo americano. Estas citações estendem-se por todo o exemplar do catálogo e os textos da contracapa:

  • American Gulag: Inside U.S. Immigration Prisons, por Mark Dow, "conta a aterradora história de homens, mulheres e crianças detidos por tempo indeterminado pelas autoridades do Serviço de Imigração dos Estados Unidos" e explicitamente compara sua situação à dos prisioneiros na União Soviética de Stalin.
  • There's Something Happening Here: The New Left, the Klan, and FBI Counterintelligence, por David Cunningham, "analisa a campanha de repressão cerrada posta em prática pela agência" na década de 60.
  • The Children of NAFTA: Labor Wars on the U.S./Mexico Border, de David Bacon, "descreve com vigor o quadro de pobreza, repressão e luta".

Outros livros contrários ao governo denunciam a "crise nuclear" de Three Mile Island ocorrida em 1979 ( foi apenas um vazamento parcial ) e a suposta "agressão às liberdades constitucionais da mídia americana" efetuada pela primeira administração Bush.

O comércio recebe o merecido castigo na "denúncia consistente" de que o aumento excessivo e sistemático de preços praticado pela indústria farmacêutica torna os medicamentos "desnecessariamente caros". A Igreja Católica é marretada em dois estudos, um denegrindo a Cúria Romana, outro comparando a arte jesuíta à arte nazista.

E hoje em dia, qual editora universitária de respeito poderia passar uma temporada sem publicar um libro que, "à luz da crítica feminista, gay e transgênere", desafiasse o velho conceito firmado de gêneros masculino e feminino?

Estudos positivos, em compensação, celebram instituições esquerdistas e insurgentes:

  • Bringing the War at Home: The Weather Underground, the Red Army Faction, and Revolutionary Violence in the Sixties and Seventies, por Jeremy Varon, "reconstrói a motivação e a ideologia de organizações violentas" ao transmitir "as intensas paixões da época — o entusiasmo do propósito moral, a profundidade do anseio utópico, a sensação de perigo e desespero e ainda o júbilo acima dos triunfos transitórios".

  • Taking Back the Streets: Women, Youth, and Direct Democracy, de Temma Kaplan, exalta as manifestações de rua, julgando que "elas testemunharam as violações dos direitos humanos, resistiram aos esforços de regimes em humilhar e silenciar jovens idealistas, além de criarem uma vida pública vibrante, que permanece como parte vital das lutas atuais por democracia e justiça".

Uma coleção da California homenageia personalidades da cultura de esquerda, como o poeta beat Allen Ginsberg, artistas gráficos na Nova York dos anos 30 e Ant Farm, um "coletivo de arquitetura radical". Outra coleção aclama ativistas políticos de esquerda, como sindicatos americanos, consumidores americanos rebeldes e o fundador do Partido Comunista Tibetano.

Esquadrinhando o mais atentamente possível a lista de 140 títulos da California para a primavera de 2004, não encontrei, todavia, um só livro conservador. E, em geral, o mesmo padrão se repete em outras grandes editoras acadêmicas, embora nem sempre tão amiúde.

Essa descoberta do saber em uma única porção do espectro político e a publicação exclusiva de seu ponto de vista trazem uma conseqüência fundamental: a traição ao conceito de liberdade acadêmica, um conceito assentado no pressuposto de que nenhuma perspectiva detém o monopólio da verdade, mas que a verdade emerge do debate.

Para restaurar a liberdade acadêmica é necessária uma reafirmação de princípios, que será alcançada com mais eficácia pela adoção ampla da "Academic Bill of Rights", a iniciativa de David Horowitz que já chegou a 130 campi americanos e a oito câmaras legislativas estaduais.(Ver o texto e alguma cobertura da imprensa em http://www.studentsforacademicfreedom.org)

Os interessados em ajudar as universidades americanas e suas editoras a recuperarem o equilíbrio devem apoiar ativamente esse esforço tão importante.

Categoria do Artigo:: Política dos Estados Unidos