Daniel Pipes
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Uma Madrassa cresce no Brooklyn

por Daniel Pipes
New York Sun
24 de Abril de 2007

Original em inglês: A Madrasa Grows in Brooklyn
Tradução: Joseph Skilnik

No próximo mês de setembro, está programada a abrir suas portas no Brooklyn uma escola pública secundária de língua árabe. O Departamento de Educação da Cidade de Nova Iorque diz que a Academia Internacional Khalil Gibran, com cursos do 6º ao 12º grau, terá um "currículo multicultural e ensino intensivo da língua árabe."

Parece ser uma idéia maravilhosa, devido ao fato de Nova Iorque assim como o país necessitarem de pessoas nativas que falem a língua árabe. Seriam úteis no exército, na diplomacia, na inteligência, nos tribunais, na imprensa, na academia e em muitas outras instituições — e ensinar idiomas aos jovens é o caminho ideal para o poliglotismo. Como alguém que passou anos aprendendo árabe, eu sou em princípio um entusiasta em relação à idéia desta escola, uma das primeiras do gênero nos Estados Unidos.

Na prática, porém, eu me oponho veementemente à KGIA e predigo que o seu estabelecimento irá gerar sérios problemas. Eu digo isto porque a instrução do idioma árabe está inevitavelmente ligada com o pan-arabismo e com a bagagem do Islamismo. Alguns exemplos:

Franck Salameh lecionou árabe na mais prestigiosa escola de idiomas americana, a Faculdade de Middlebury em Vermont. Num artigo para o Middle East Quarterly, ele escreve: "ainda que os estudantes saiam da Middlebury com um árabe melhor, eles também saem doutrinados com uma tendência nacionalista árabe quanto à leitura da história do Oriente Médio. Conferências permeadas e cuidadosamente projetadas com exercícios gramaticais, os instrutores da Middlebury incitam a idéia de que a identidade árabe está acima das identidades locais e que o respeito para com as minorias étnicas e pelas comunidades sectárias traem o arabismo".

Como exemplo de tais exercícios gramaticais, veja o recém publicado livro de Shukri Abed, "Focalize-se no árabe contemporâneo: Conversas com oradores nativos" (Publicado pela Universidade de Yale), no capítulo titulado "A questão Palestina". Suas leituras fortemente politizadas seriam inimagináveis num livro de conversação francês ou espanhol.

A dimensão islâmica também me preocupa bastante. Uma organização que faz lobby para o ensino do árabe, a Fundação do Instituto de Língua Árabe, reivindica que o conhecimento do idioma do santo Islã pode ajudar o Ocidente a recuperar o que seu líder, Akhtar H. Emon, chama de "decadência moral". Em outras palavras, os muçulmanos tendem a ver os não muçulmanos que estudam árabe, como um passo para uma eventual conversão para o Islã, uma expectativa que eu vi quando estudava árabe no Cairo nos anos setenta.

Do mesmo modo, aprender árabe por si só promove a perspectiva islâmica, como James Coffman demonstrou em 1995, vendo a evidência da Argélia. Comparando estudantes lecionados em francês e em árabe, ele descobriu que "estudantes arabizados mostravam decididamente maior apoio pelo movimento Islâmico e maior desconfiança para com o Ocidente". Esses estudantes arabizados, ele nota, mais prontamente acreditavam na "infiltração na Argélia de espiãs israelenses infectadas com AIDS… na conversão em massa para o Islã de milhões de americanos" e outras tolices islâmicas.

Dhabah ("Debbie") Almontaser, diretora-designada da Academia Internacional Khalil Gibran

Algumas particularidades sobre a KGIA confirmam estas apreensões, incluindo sua lista de patrocinadores e entusiastas. A figura de chave da escola, a diretora designada Dhabah ("Debbie") Almontaser, tem um histórico de pontos de vista extremistas, como demonstraram William A. Mayer e Beila Rabinowitz na PipeLineNews.org.

Recompensando estes pontos de vista, o Conselho das Relações Americano-Islâmicas, uma organização de fachada, financiada no exterior, concedeu em 2005 uma honraria a Sra. Almontaser pelas suas numerosas contribuições "para a proteção de liberdades civis".

As intenções dela para com a KGIA deveriam soar alarmes. Um relatório da Associated Press parafraseia-a dizendo que "a escola não recuará diante de tópicos sensíveis como colonialismo e a crise israelense-palestina" e ela avisa que a escola incorporará o idioma árabe e a cultura islâmica. Cultura islâmica? Não foi isso que foi anunciado — mas imbuindo o pan-arabismo e o anti-sionismo, a conversão para o Islã e promovendo simpatias ao Islamismo, vão previsivelmente compor o verdadeiro currículo da escola.

Para expressar suas preocupações sobre esta planejada escola árabe, por favor, escreva para o chanceler da Cidade de Nova Iorque, Joel Klein, para JKlein@schools.nyc.gov.

Tópicos Relacionados:  Conselho de Relações Americano-islâmicas, Estudos sobre o Oriente Médio, Muçulmanos nos Estados Unidos cadastre-se para receber gratuitamente o boletim semanal de daniel pipes em português